domingo, 17 de dezembro de 2017

Vale à pena seguir as recomendações dos analistas? Comparativo com o CDI de 2001 a 2017

Alguns meses atrás eu fiz um texto aqui no blog evidenciando que valeria à pena investir em ações, desde que escolhêssemos bem as empresas e investíssemos visando o longo prazo (e.g. aposentadoria).

Esse texto teve uma grande quantidade de acessos e até nos rendeu uma boa divulgação no programa “30 Minutos para se Aposentar com Ações”, do meu amigo Marco Saravalle, analista da XP Investimentos. Quem não assistiu ao programa, recomendo que assista.

A motivação para termos feito aquele trabalho foi uma matéria de uma consultoria que dizia que o investimento em ações perde do investimento em renda fixa, usando a comparação do Ibovespa (IBOV) e o CDI.

Esse tipo de matéria é muito perigosa, porque as pessoas que não conhecem o mercado de ações acreditam que o IBOV tem as melhores empresas da bolsa e isso é um mito. O IBOV tem muita coisa ruim!

Como dizemos aqui na Paraíba, essa competição foi muita “garapa” para o CDI. Quero ver ele ganhar de uma carteira diversificada e com empresas com bons fundamentos. Foi isso que mostrei naquele texto do dia 12/09/2017.

Desta vez eu resolvi entrar em outro ponto polêmico: será que vale à pena seguir as recomendações dos analistas sell-side?

Os sell-side são os analistas que vendem relatórios de recomendações para os investidores que não têm tempo, experiência, ou segurança para escolher suas próprias ações.

Muitas pessoas não acreditam no trabalho do sell-side e não recomendam que as pessoas sigam suas recomendações. De fato, existe muito analista que é especialista em errar, porém existe muito analista bom.

Nós do Núcleo de Estudos em Análise de Investimentos e Contabilidade (NAIC) da UFPB estamos fazendo algumas pesquisas sobre isso (algumas até já estão divulgadas cientificamente – vocês podem ver no meu currículo lattes) e outras estão em andamento (working papers).

Aos que quiserem uma leitura mais científica sobre o assunto e não apenas resultados preliminares como este, recomendo que leiam o artigo “Impacto dos Relatórios de Recomendações dos Analistas Sell-Side nos Retornos das Ações”, escrito por Bruno Sun, Liliam Sanchez Carrete e Rosana Tavares (ambos da USP), em que, por meio de estudos de eventos, os autores evidenciaram que a divulgação dos relatórios dos sell-side impacta o mercado de ações brasileiro.

Após essa introdução, vamos ao que interessa. Dividi o restante do post da seguinte forma: 1) metodologia da análise, 2) análise dos resultados e 3) considerações finais.

METODOLOGIA DA ANÁLISE

Para este post, eu segui uma metodologia semelhante àquela usada no post do dia 12/09 (veja aqui), porém eu fiz duas simulações:

1) A primeira simulação foi feita para um investidor que tinha R$ 50.000 para investir em ações, no início de 2001, e que estava disposto a pagar R$ 3.000 anualmente para uma financial research (casa de análise de ações, onde os analistas sell-side trabalham) recomendar uma carteira para ele. Já a segunda simulação foi feita para um investidor menor, que tinha R$ 10.000 disponíveis e que estava disposto a pagar R$ 300 anualmente para uma financial research. Por conservadorismo, utilizei os R$ 3.000 e R$ 300 que são valores do mercado de hoje, desde 2001, sem deflacionar;

2) Coletamos na base de dados da Thomson Reuters Eikon as recomendações (venda fortemente, venda, manter, compra e compra fortemente), a quantidade de analistas para cada empresa e o retorno total das ações. As recomendações e analistas foram coletadas com base no dia 01/04 de cada ano e os retornos foram calculados do dia 01/04 do ano base, até o dia 01/04 do ano seguinte. Se não houve pregão no dia 01/04, foi usado o dia seguinte para o cálculo.

Para o cálculo do retorno total, consideraram-se, inclusive, os reinvestimentos dos proventos para acentuar o efeito dos juros compostos.

Para esse post eu tenho um agradecimento especial a Geisa Paulino, pelo auxílio na coleta dos dados e ao IDEP-UFPB por financiar a base de dados que nós usamos.

3) Para selecionar as carteiras com as 10 ações, nós optamos por usar como critério as ações que foram mais recomendadas pelos analistas. Em alguns anos, as últimas colocações para entrar na carteira apresentaram ações com a mesma quantidade de recomendações.

O procedimento para o caso em que houve empate de recomendações nas últimas colocações da carteira foi o seguinte, com um exemplo:

O ano de 2007 contou com 13 ações na carteira, porque tivemos 7 ações com de 10 a 12 recomendações e 6 ações com 9 recomendações. Como, teoricamente, investiríamos nas 10 ações mais recomendadas, optamos por dividir os 30% restantes da carteira igualmente entre as 6 ações com tiveram 9 recomendações. Esse procedimento foi repetido sempre que houve empate de recomendações nas últimas vagas da carteira anual.

As carteiras de cada ano podem ser visualizadas no final do post.

4) Após a formação das carteiras, nós comparamos o investimento de R$ 50.000 e R$ 10.000 nas carteiras recomendadas pelos analistas, no IBOV e no CDI, de 2001 a 15/12/2017. 2001 foi escolhido por ser a partir daí que conseguimos encontrar previsões de analistas generalizadas na base de dados e 15/12/2017 foi a última data disponível para calcular os retornos.


ANALISE DOS RESULTADOS

Retornos anuais

Conforme podemos observar na tabela abaixo, a carteira com as recomendações dos analistas gerou um retorno médio e mediano muito maior do que o IBOV e CDI, porém com um risco muito maior do que o CDI (que é renda fixa e com risco mais próximo de zero), porém com risco menor do que o IBOV.
Como não é uma boa ideia comparar investimentos arriscados como investimentos que o mercado costuma usar como proxy para taxa livre de risco (apesar de eu não considerar o CDI uma taxa livre de risco – escreverei sobre isso em breve), podemos ver que a carteira dos analistas foi bem melhor, pela relação retorno/risco, do que uma carteira muito mais diversificada, como o IBOV.



Análise da evolução patrimonial entre 01/04/2001 e 15/12/2017
Simulação 1: investimento único de R$ 50.000 e custo anual de R$ 3.000

Como comentando anteriormente, essa simulação é para dedicada aos investimentos que têm mais dinheiro que os investidores iniciantes comuns, mas que não têm tempo, experiência, ou segurança para investir sozinhos. Por estes motivos, este tipo de investidor, nesta simulação, está disposto a ter um custo anual de R$ 3.000 para montar a sua carteira com base nas recomendações de analistas.

O gráfico abaixo nos informa que o investidor que seguiu a estratégia de investir no consenso dos analistas transformou os seus R$ 50.000 iniciais em R$ 899.210,06, em 15/12/2017, o que dá um retorno composto (geométrico) de 18,53% ao ano!

Caso tivesse investido no IBOV, teria transformado o seu investimento inicial em míseros R$ 244.725,26 (retorno anual composto de 9,79%), enquanto que no CDI teria acumulado um patrimônio de R$ 425.388,22 (retorno anual composto de 13,42%).

Ressalto que o investimento em ações em 2001 foi de R$ 47.000 (R$ 50.000 – R$ 3.000) e todo 01/04 foi subtraído o valor do custo da carteira, em R$ 3.000.




Simulação 2: investimento único de R$ 10.000 e custo anual de R$ 300

Algumas pessoas podem achar que o investimento em ações não é para elas, porque “o custo é muito alto para investir pouco dinheiro sem ter que pagar a um analista... imagina pagando pelos relatórios”.

Dessa forma, resolvi fazer uma simulação com um investimento inicial e único de R$ 10.000 e um custo anual de R$ 300. Algumas financial researchers possuem planos de relatórios anuais mais baratos para investidores iniciantes. Esse valor de R$ 300 está dentro da realidade atual do mercado, para os mais céticos.

Da mesma forma que a análise anterior, o investimento com essa estratégia gerou um patrimônio maior do que o CDI e o IBOV: R$ 174.005,22 (retorno anual composto de 18,30%), contra, respectivamente, R$ 85.077,64 (retorno de 13,42%) e R$ 48.945,05 (retorno de 9,79%).





Teste de sensibilidade com a carteira de potenciais boas pagadoras de dividendos (publicada no post de 12/09/2017)

Para comparar os resultados, peguei o período em comum da análise que fizemos do post “Vale à pena investir em ações? Comparativo com o CDI de 1998 a 2015”, com os dados do post de hoje.

Os resultados evidenciam que a carteira de dividendos com os pressupostos que assumimos em setembro domina todas as outras carteiras durante todos os períodos, no patrimônio acumulado.

Uma possível justificativa para isso pode ser pelo fato de os analistas sell-side ser mais conservadores em suas análises, do que o próprio investidor, para evitar recomendar ações mais arriscadas aos seus clientes que, em geral, têm uma mentalidade de curto prazo e acabarem manchando a sua reputação. Como carteira de setembro nós não estávamos preocupados com isso, é possível que tenha encontrado melhores retornos por este motivo.




CONSIDERAÇÕES FINAIS

Antes de investir em ações, é preciso que as pessoas sejam educadas financeiramente, gastem menos do que ganhem e estudem sobre os riscos do mercado... e que criem confiança para suportar a volatilidade do mercado no curto prazo. Como podemos ver nas análises acima, no longo prazo, seguindo uma boa estratégia, é difícil as coisas darem errado.

Gostaria de ressaltar uma limitação da análise: um investidor normalmente não faz um único aporte. Ele faz diversos outros aportes anualmente, mensalmente, trimestralmente etc.

Outra limitação importante é que os retornos passados não são garantias de retornos futuros, porém essa é, talvez, a melhor forma de testarmos estratégias. Cuidado com isso.

A consideração desses novos aportes poderia potencializar ainda mais o retorno do investimento em ações, caso o investidor conseguisse comprar ações em períodos em que as pessoas estão vendendo com medo do mercado (e.g. Joesley Day) – assim garantiria uma compra mais barata.

Essa semana eu ainda publicarei um post que trata um pouco de educação financeira. Fiquem ligados!

P.s.: O link do texto citado acima já está aqui, mas o post ainda não está público. Farei isso nos próximos dias.

LISTA DAS EMPRESAS E QUANTIDADE DE ANALISTAS


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Como Eugene Fama entrou no doutorado

Já li esse artigo diversas vezes no passado e semana passada fui relembrado dele.

O artigo é bem curto, mas muito legal sobre como Fama (Nobel em Economia) ingressou no doutorado.

Um trecho que eu gostaria de destacar é que primeiramente ele entrou no MBA (espécie de mestrado nosso) e quando chegou no MBA achou que queria entrar no doutorado (lá não é incomum entrar no doutorado diretamente). Foi aí que o coordenador do programa de doutorado disse:

“You better do a quarter as an MBA because graduate school is a lot different than undergraduate school. See how you do, and we’ll judge you after that.”

Normalmente as pessoas diriam que é mais difícil, mas ele teve uma reação um pouco diferente.

Leia o resto aqui.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Matéria sobre moedas digitais no Correio da Paraíba

Aqui está a matéria publicada no último domingo que contou com a minha participação.

Recomendo também a leitura do post da mestranda em contabilidade pelo PPGCC/UFPB Bárbara Simão, em parceria com o recém formado em economia pela UFPB Felipe Araújo: aqui.



sábado, 9 de dezembro de 2017

Autoavaliando a minha avaliação pelos alunos em 2016.2

Finalmente recebemos a nossa avaliação feita pelos alunos em 2016.2.

Os alunos, e até alguns Professores, costumam criticar essas avaliações feitas pelos alunos.

A crítica dos alunos é que a avaliação não tem servido de nada. Isso está mais ou menos certo ou mais ou menos errado, dependendo do ponto de vista.

Realmente eu nunca soube de nenhum caso de Professor que teve que passar por reciclagem, que foi punido, que teve que ser acompanhado por algum psicólogo ou pedagogo, por ter sido consistentemente mal avaliado.

Por outro lado, alguns Professores - e eu me incluo nisso desde que a avaliação foi implantada - realmente levam a sério a avaliação e analisam ela de modo a buscar melhorar algumas coisas que foram problemáticas na disciplina e o Professor não percebeu.

Gosto de citar o meu próprio exemplo: sempre estive disponível por email e sempre respondi rápido aos emails dos alunos. Eu achava isso era suficiente, mas percebi, nos dois primeiros semestres de avaliações, que minha nota era boa em todos os quesitos, menos atendimento ao aluno fora de sala. Dessa forma, eu deixo um turno na semana para que os alunos possam ir me visitar em minha sala sem marcar horário, nem avisar. É só chegar. Poucos fazem isso, mas agora ninguém mais pode reclamar.

Já os Professores reclamam que a avaliação não mede nada, que os alunos descontam as notas baixas na disciplina por meio dessa avaliação. É possível que isso aconteça sim. Do mesmo jeito que temos Professores sem noção e que caíram de pára-quedas na sala de aula, temos alunos também sem noção e que caíram de pára-quedas na Universidade.

Todavia, quando é uma turma inteira detonando uma avaliação... algo só pode estar errado. É assim que eu vejo a avaliação.

Algumas vezes fico até chateado, apesar de nunca ter tido uma nota média baixa por turma, mas um ou outro aluno que me detonam colocando um 5, quando o resto da turma colocou notas altas realmente chateiam. Mas nem Ohlson, Ball, Brown e Beaver - e Fama - agradaram a todos. Quem sou eu para agradar? Eu tento tirar informações boas disso, para ajudar a me tornar um Professor melhor. Esse é, para mim, o objetivo da avaliação institucional.

Mas vamos aos fatos desta última avaliação divulgada:

FINANÇAS 3

            3.1.1    Considerando os itens abaixo, quais deles cada professor PRECISA AJUSTAR? (caso ache que o professor não precisa ajustar, não precisa marcar).
(a)        Cumprimento do plano de curso 2/22
(b)       Relacionamento com a turma 3/22
(c)        Comparecimento às aulas 2/22
(d)       Cumprimento do horário de início e de término das aulas 2/22
(e)        Atualização dos conteúdos 2/22
(f)        Clareza na exposição dos conteúdos 1/22
(g)       Disponibilidade para atendimento fora da sala de aula 3/22
(h)       Qualidade da bibliografia 1/22
(i)        Qualidade das avaliações 3/22

COMENTÁRIOS DOS ALUNOS: apenas 1 aluno comentou. “Excelente professor!”. Agradeço pelo elogio. Todo semestre tento ser melhor do que fui no anterior.

Adicionalmente, gostaria de fazer um pequeno comentário analisando os dados:

1) O aluno ou aluna número 12 foi o único a marcar que eu precisaria mudar tudo na minha disciplina e ele se auto avaliou com nota 10. Todavia, ele marcou 10 na satisfação comigo, indicando que estava totalmente satisfeito. 

Essa eu fiquei sem entender. A mesma coisa aconteceu com Adm Financeira em Contabilidade, quando um dos alunos marcou que eu precisava mudar tudo na disciplina, mas me deu nota 10.


Lembrando que não sabemos quem é quem. Os alunos são sorteados aleatoriamente.

Em geral, as coisas que eu mais preciso melhorar, segundo essa turma, são "qualidade das avaliações" (nessa turma eu não fiz nenhuma prova. Foram apenas estudos de caso e as notas foram dadas por mim, pelo grupo apresentador do caso para cada membro e por toda a turma), "disponibilidade para atendimento fora de sala" (sem comentários adicionais) e "relacionamento com a turma" (poxa, eu contava várias piadas!). 

3 dos 22 alunos que responderam à avaliação disseram que eu precisava melhorar isso. Vou pensar no que fazer, com certeza.

ADM FINANCEIRA EM CONTABILIDADE

            3.1.1    Considerando os itens abaixo, quais deles cada professor PRECISA AJUSTAR? (caso ache que o professor não precisa ajustar, não precisa marcar).
(a)        Cumprimento do plano de curso 1/28
(b)       Relacionamento com a turma 1/28
(c)        Comparecimento às aulas 1/28
(d)       Cumprimento do horário de início e de término das aulas 2/28
(e)        Atualização dos conteúdos 2/28
(f)        Clareza na exposição dos conteúdos 5/28
(g)       Disponibilidade para atendimento fora da sala de aula 2/28
(h)       Qualidade da bibliografia 1/28
(i)        Qualidade das avaliações 1/28

COMENTÁRIOS DOS ALUNOS: nessa turma eu tive 3 comentários.

PROFESSOR PREOCUPADO COM O DESEMPENHO DE CADA um , EXPÕE O Assunto,tem conhecimento...passa muita atividade.”

Super chato... brincadeira kkk vc foi o melhor. Continue assim.” (semestre passado, dois alunos disseram que sou chato e me acho muito... para vermos como são as coisas, gosto é muito pessoal)

A didática do professor é ótima!!” (no semestre passado, se não me engano, um aluno disse que minha didática é péssima - não dá para agradar a todos)

Sobre o primeiro comentário, a parte da preocupação com o desempenho de cada aluno é realmente uma prioridade minha. Não quero nenhum aluno sem entender o conteúdo. 

Às vezes é bem difícil, mas seguirei tentando. Um exemplo para mim é o Professor Ivan Ricardo Gartner, da UnB. Foi o Professor mais atencioso que eu já tive e eu tento fazer algo parecido.

Sobre as muitas atividades, não sei se o aluno gostou ou não, mas é outra grande verdade. Meu aluno tem que suar muito. Por outro lado, não costumo fazer prova e quando faço prova, é tão fácil que uma coisa compensa a outra.

Sobre o “super chato”, eu já estou acostumado. Até minha mãe diz que sou chato kkk. Mas sou um chato legal!

Obrigado a todos pelos elogios. É bom saber que agradamos um pouco!

Sobre o item que mais preciso melhorar, segundo essa turma: "clareza na exposição do conteúdo". Para quem acompanha o meu trabalho aqui no blog, onde divulgo todos os meus materiais de aula, todo semestre eu mexo nos slides e penso em formas para facilitar a vida dos alunos. Isso é uma coisa contínua. Com certeza continuarei melhorando nesse quesito. 5 dos 28 alunos disseram isso.

COMENTÁRIO GERAL

Em geral, se vocês perceberem, não tenho nenhum quesito que não tenha nada a melhorar. Algum aluno marcou X em tudo, dizendo que eu preciso melhorar tudo.

Podemos ver isso de algumas formas: a) ele ou ela realmente não gostou da disciplina ou de mim; b) ele ou ela não entendeu o questionário; ou c) ele ou ela não levou o questionário a sério.

Assim, deixo um pedido aos alunos: preste atenção ao questionário e respondam com seriedade. Isso é importante para a melhoria do ensino na Universidade.

Finalizando, as notas foram iguais nas duas turmas: 9,36.

Vamos lá, rumo a mais um semestre!


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Magazine Luiza Day e visita à Suno Research

Essa semana a agenda está lotada de eventos. Ontem estivemos no Magazine Luiza Day (ML Day), fizemos uma visita rápida à Suno Research para conversar com o analista chefe Tiago Reis e, no final da tarde e noite, fomos ao I Seminário de Finanças e Economia Quantitativa da FGV. Hoje estive o dia inteiro no 2nd Stata Meeting, na FEA-USP.

Neste post eu falarei dos dois primeiros eventos e depois, outro dia, farei um em separado para comentar uma coisa específica do seminário da FGV.

MAGAZINE LUIZA DAY

Alguns dos prêmios de melhor varejista

O final do ano vai chegando e com isso chega também a temporada de “investors day” das empresas listadas na nossa B3. Nestes eventos os diretores das empresas fazem uma rodada de apresentações, como se fosse um road show de apresentação da empresa, para que possamos atualizar nossos modelos de valuation  e que os analistas possam recomendar ou não as empresas para os investidores.

Na última quinta-feira, dia 07/12/2017, estive no Magazine Luiza Day de 2017 (ML Day), um desses eventos para investidores e analistas.

Como moro longe do centro do mercado financeiro brasileiro, nunca havia participado desses eventos. Os únicos que participo, basicamente, são as conference calls pós-divulgação de resultados pela internet.

O que posso dizer é que é muito diferente. Lá nós conseguimos captar melhor a energia da empresa e de seus diretores. Frederico Trajano deu algumas respostas bem evasivas (seja porque não queria entregar a estratégia completa da empresa, seja porque não poderia dar a informação por questões regulatórias, ou outros motivos), mas pela reação dele e dos diretores ao seu redor nós conseguimos captar um pouco mais de informações – e isso não é possível ouvindo apenas o áudio, como acontece nas conference calls.

Gostei demais da experiência pelo fator citado acima e por poder encontrar pessoalmente pessoas que acompanhamos e interagimos por meio da internet – encontrei e conversei um pouco com Thiago Salomão da Infomoney e Giovana Scottini da Eleven Financial. E espero que outras reuniões como essa caiam em épocas em que eu esteja em São Paulo.

Eu, Bruno (aluno da UFPB e Sala de Ações) e Thiago Salomão (Infomoney)

Aqui estão alguns pontos que achei interessante compartilhar com vocês. Bruno Garcia, aluno de economia da UFPB e que participa da Sala de Ações, me perguntou se eu estava escrevendo um livro, pela quantidade de coisas que eu anotei e que usarei nas minhas próximas análises sobre a empresa:
 1)    Na reunião eles destacaram muito a marca “Magalu 6.0: o que não muda é que a gente sempre muda”, destacando o processo de mudança que a empresa tem passado nos últimos anos. Isso foi usado por Frederico Trajano, para já no início da sua fala, destacar que as pessoas que perderam o rali da $MGLU3 perderam porque ficaram presas ao passado, quando os resultados trimestrais já apontavam para a recuperação da empresa e o que nos esperava para o futuro;
2)    Falou-se muito que a empresa tem o melhor omnichanel do mundo;
3)    $MGLU3 já está na primeira prévia do Ibovespa, então alguns fundos de investimentos que buscam replicar ou bater o índice deverão inserir a ação em suas carteiras para poder atingir ao seu objetivo. Logo, a ação deve subir ainda mais pelo aumento da demanda;
4)    Estavam presentes em torno de 180 pessoas no evento, entre investidores, analistas, jornalistas e demais interessados. Após a primeira fala de Frederico Trajano, um dos diretores falou sobre a governança corporativa da empresa. Quase não vi ninguém anotando nada, nem a “batida de dedo” nos teclados. Quando começou a falar sobre questões mais financeiras, parecíamos que estávamos num show de algum tipo de música alternativa, com instrumentos alternativos. Neste caso, os instrumentos eram os teclados dos computadores e a música era o som da digitação. Isso nos diz um pouco sobre como as pessoas ainda veem a governança corporativa;
5)    “Nosso ‘prime’ é o nosso app”, foi basicamente assim que Fred (vou chamar assim agora) respondeu a uma pergunta sobre a possibilidade de cobrar por um serviço prime de entregas, como a Amazon tem feito. A Amazon cobra US$ 99,00 pelo serviço de entrega mais rápida (entre outras vantagens). Contudo, a Magalu já consegue fazer a entrega “prime” sem ter que cobrar mais do cliente por isso – antes da pergunta eles já haviam anunciado que dão prazo de 4 dias, mas entregam em 2 e que estão testando a entrega expressa em 2 dias para 10 cidades.
 Só para destacar mais essa questão, quem faz compras com valores acima de R$ 99,00 pelo app da Magalu não precisa pagar frete, além de poder fazer a compra sem ter que gastar o pacote de dados do celular – a navegação no app é gratuita.
6)    A Magalu está trabalhando pesado em mostrar que vende muito mais do móveis e eletrônicos. Por exemplo, foram vendidas muitas fraudas descartáveis! É possível comprar cerveja, remédios etc. É um verdadeiro marketplace;
7)    A BlackFriday da Magalu (até postei sobre isso aqui noblog) já é melhor do que o Natal e essa foi a melhor. Na BlackFriday, o app da Magalu foi o mais baixado do Brasil!
8)    O diretor de logística enfatizou a questão da eficiência, citando muito o Kaizen e o fato de que eles ampliaram este ano 5% da área física, mas que a capacidade de estocagem aumentou 13%. Isso é devido à eficiência e melhoria contínua;
9)    Ainda sobre a logística, o diretor de logística deu as seguintes informações:
A)   99,76% das entregas da Magalu são feitas dentro do prazo;
B)   Quando há problema na entrega eles sempre buscam saber os motivos e resolver; e
C)   O índice de reclamações nas entregas caiu 58% na comparação entre janeiro e novembro
 
10) Acho que essa informação eles acabaram soltando sem querer, mas foi informado que o GMV para o 4t17 já está acima da meta deles;
11) Uma das pessoas da plateia questionou sobre vendas cross-border. Fred se limitou a responder que esse é um mercado muito grande e não daria mais muitas informações sobre isso, mas deu a entender que eles estão bem interessados;
12) O CFO destacou o foco em redução de despesas e que eles fazem o acompanhamento mensal desse projeto;
13) A empresa recebeu pelo 4º ano o Selo de Assiduidade da APIMEC e ganhou o prêmio de melhor investor day de 2016!
 
Recebimento dos prêmios da APIMEC

14) Com o follow-on a empresa deverá zerar a dívida bancária e passará a ter dívida líquida negativa, ou seja: caixa maior do que a dívida. O foco de endividamento passará de bancário, com custo de até 130% do CDI, para desconto de duplicatas, com custo de 105% do CDI. A meta é dívida bancária igual a zero antes das eleições.
 
15) Uma das coisas que mais me chamou a atenção e que vai ser preciso pensar bem para poder implantar no modelo de valuation é que eles disseram que aumentarão significativamente o CAPEX – principalmente em tecnologia (no labs). Além disso, haverá um aumento significativo de lojas e todas as lojas serão reformadas para a transformação total das lojas em “shoppable distributions centers” (o custo deve ser em torno de R$ 200 a R$ 300 mil por loja). Eles destacaram, porém, que o CAPEX não “quadruplicará”;
 
16) Sobre a distribuição de lucros, a empresa deve pagar JSCP ano que vem, mas nada muito diferente do que foi este ano. O foco realmente será em pagando de dívida e CAPEX;
 
17) Gostei muito de ver que Fred está por dentro de todos os processos da empresa, aparentemente;
 
18) A entrada no RJ está nos planos da Magalu, mas não deve ocorrer no ano que vem; e por fim
19) Um dos problemas que a Amazon terá aqui no Brasil é com logística. A Magalu está muito à frente neste quesito, e ficando ainda mais à frente. Um fato importante é que a dependência dos Correios é de 10% do total de entregas – a menor dependência do mercado!


Abaixo vocês podem verificar a evolução do preço da $MGLU3, ação da Magazine Luiza, antes (antes do dia 07/12/2017)e após o ML Day (pós 07/12/2017): 




Aqui vocês podem ver um texto de Thiago Salomão lá no Infomoney com 3 motivos para essa alta da $MGLU3. Eles foram comentados aqui no blog também.

VISITA À SUNO RESEARCH

Como bônus pós ML Day, fizemos uma visita à Suno Research.

A conversa foi rápida, mas foi bem legal. Falamos sobre algumas empresas e apresentamos um dos nossos projetos em participo na UFPB: Sala de Ações.

Para quem não conhece a Sala de Ações e a Suno Research, recomendo que acessem os sites para ter acesso aos materiais sobre educação financeira e investimentos.



domingo, 3 de dezembro de 2017

[SLIDES] Curso de introdução aos métodos quantitativos na UFPA

Aqui estão os slides e os materiais adicionais que usarei no curso da UFPA.

O tempo é curto e o assunto é longo, por isso deixei muitos slides. Porém o foco será em aplicações práticas no Stata.

Materiais adicionais: https://www.dropbox.com/sh/opgiwpjmfd72g99/AACbyTCHFzf7Il82eguaRlZwa?dl=0

Slides:


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

[AJUDA EM PESQUISA] Comportamentos exteriorizados nas redes sociais e vivências acadêmicas

Pessoal, segue mais um questionário para quem puder responder!

Clique aqui para acessá-lo.

Prezad@ alun@,
Posso contar com sua ajuda? Me chamo Alison Meurer e juntamente com meus colegas Iago Lopes e Ricardo A. Antonelli estamos realizando uma pesquisa, sob orientação do Professor Romualdo Douglas Colauto. Iremos analisar sua percepção quanto ao nível de stress e o bem-estar acadêmico no comportamento exteriorizado em redes sociais, além de sua satisfação com a pós-graduação. 
Comprometemo-nos em preservar o sigilo de suas respostas por meio do agrupamento estatístico e divulgação/análise consolidada dos dados. Assim, asseguramos que nenhum dado será analisado de forma individual, não possibilitando sua identificação. A sua participação é voluntária e, caso se sinta constrangido, poderá interromper em qualquer momento o preenchimento do instrumento, sem que isto lhe traga qualquer prejuízo.
O tempo médio de preenchimento do questionário é de 10 minutos. Eventuais dúvidas poderão ser sanadas por meio do e-mail pcgufpr@gmail.com. Muito obrigado e certamente sua participação fará total diferença na consolidação da nossa pesquisa.
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